O SENTIDO DA NOVA ALIANÇA

                                        CALMEIRO MATIAS

 

 

 

 

 

 

Deus Santo,

Glória a Vós, pois quisestes criar-nos como pessoas.

 

O animal gosta de brincar, mas não é capaz de celebrar,

nem precisa de sentidos para viver.

 

Pelo facto de estar em realização histórica, a pessoa

humana precisa de sentidos para viver e se construir.

 

Quando lhe faltam sentidos para viver, o ser humano entra

em crise e pode mesmo pensar no suicídio.

 

Por estar a estruturar-se como ser histórico, a pessoa tem a

capacidade de associar o passado com o presente e este com

planos e sonhos de futuro.

 

Isto acontece assim porque a pessoa se sente-se a caminho

de uma meta que se confirma em cada sucesso que vai

concretizando ao longo da sua caminhada.

 

Por não ser uma pessoa em construção, o animal não tem

esta consciência existencial, nem sente um apelo a actuar de acordo

com os valores que são o apelos.

 

Na verdade, os valores são apelos que a pessoa sente no sentido de

se construir com sentido e poder realizar-se

como pessoa consciente, livre, responsável.

 

Como ser em realização, a pessoa edifica-se

de modo gradual, fazendo emergir o novo.

Sempre que fazemos emergir o novo e o diferente,

transcendemo-nos e tornamo-nos imagem de Deus.

 

Deste modo, sem deixarmos de ser os mesmos, vamos

sendo de maneira sempre nova e diferente.

 

A pessoa humana é, realmente, um ser faminto de sentidos,

pois tem fome de ser em plenitude.

 

Eis a razão pela qual o homem não pode deixar de se pôr

o sentido da vida.

 

Como não podemos viver sem sentidos, pomo-nos

constantemente interrogações e porquês, sobretudo

nos momentos mais sérios e difíceis da vida.

 

Quando uma pessoa perde os sentidos básicos da vida,

deixa de ter razões para viver.

 

Assim como não se põe o sentido da vida, o animal

também não tem consciência da sua morte.

 

A consciência da própria morte é um dos estímulos mais

profundos a leva a pessoa a colocar-se o sentido da vida.

 

Do mesmo modo, Deus não é uma questão secundária,

para as pessoas que pretendem humanizar-se, fazendo

opções, escolhas, e projectos de realização pessoal.

 

A consciência universal da Humanidade evoluiu no

sentido de se colocar a questão religiosa. Isto significa que a

Humanidade, no seu todo, intuiu que não estamos a edificar

para a morte.

 

Jesus Cristo trouxe a grande resposta a estas interrogações

básicas do Homem:  sua ressurreição, ensinou aos homens

que a morte não tem a última no que se refere  projecto

histórico da Humanidade.

 

Pelo mistério da Encarnação, o divino enxertou-se no

humano e nós passamos a ser membros da Família de

Deus.

 

 

Isto quer dizer que os seres humanos, ao darem o salto de

qualidade para a vida pessoal, atingiram as condições

necessárias para serem assumidos e incorporados

na comunhão familiar da Santíssima Trindade.

 

Deus Santo,

Louvado sejais porque nos quisestes criar como pessoas,

a fim de fazerdes uma aliança connosco!