JESUS CRISTO É O CENTRO DO PLANO DE DEUS

                                                                                                      CALMEIRO MATIAS

 

 

 

 

 

 

Jesus Cristo é um caso único na história da Humanidade: Foi anunciado e esperado durante séculos antes de ter nascido.

Nasceu, realizou a Sua missão e começa a ser anunciado como Salvador da Humanidade por aqueles que o seguiram.

Apesar de anunciado antes de nascer, os que o anunciaram não vislumbraram o alcance libertador e salvador da sua missão.

Jesus Cristo, de facto, foi muito além do que se tinha anunciado antes.

Os que acreditam nele sabem que todos os homens foram beneficiados pela Sua capacidade de dom.

É o fundamento da Nova Humanidade, pois alterou qualitativamente a condição humana: De não divinos, os seres humanos foram divinizados, passando a fazer parte da Família Divina.

No próprio acto de morrer venceu a morte. Com efeito, Jesus não esteve um só momento sob o domínio da morte.

À medida em que ia morrendo aquilo que no homem é mortal, o imortal, isto é, o que tem densidade para ser ressuscitado e assumido na comunhão divina ia sendo glorificado pela acção do Espírito Santo.

De tal modo a dinâmica da ressurreição estava a vencer a morte, que Jesus, ao acabar de morrer, estava plenamente ressuscitado e assumido na comunhão da Santíssima Trindade.

Ao vencer a morte através da ressurreição, Jesus introduziu na História a plenitude dos tempos, isto é, a fase dos acabamentos na qual acontece a divinização da Humanidade.

 

 

 

Com o acontecimento da morte e ressurreição de Jesus iniciou-se a dinâmica da ressurreição e divinização da Humanidade.

No momento em que Jesus ressuscita, os que o precederam na marcha da história foram com ele assumidos e incorporados na comunhão da Família Divina.

Os que vêm depois, como é o nosso caso, vamos sendo divinizados à medida em que, mediante o amor, nos vamos humanizando.

No momento da nossa morte somos imediatamente incorporados na comunhão da Santíssima Trindade.

Isto acontece assim porque formamos uma união orgânica e dinâmica com Jesus Cristo.

Ele é realmente a cabeça da Nova Criação como diz a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios (2 Cor 5, 17-18).

Foi com Cristo que, na marcha da história, foi introduzida a dinâmica da divinização. Deste modo, o humano é optimizado e organicamente incorporado na comunhão da Santíssima Trindade.

Ao ressuscitar, Cristo constituiu a comunhão universal humano-divina, cujo princípio vital é o Espírito Santo.

Isto só foi possível porque nos assumiu como membros de um corpo cuja cabeça é Ele (1 Cor 10, 17; 12, 27; 12, 13).

Cristo ressuscitado é o portador da Água Viva que, como diz o evangelho de São João, faz emergir torrentes de Vida Eterna no nosso íntimo (Jo 4, 14; 7, 37-39).

Eis o modo como Cristo se tornou a cabeça da Humanidade. São Paulo diz isto de modo muito bonito quando afirma: “Se alguém está em Cristo é um Nova Criação.” (2 Cor 5, 17).

Depois afirma ainda que somo o corpo de Cristo e seus membros, cada qual com uma função própria (1 Cor 12, 27; 10, 17).

O evangelho de São João diz que a união da Humanidade com Cristo é de tipo orgânico. É semelhante à união da cepa da videira com os seus ramos (Jo 15, 1-7).

A seiva que vem da cepa é o Espírito Santo. Esta seiva que nos vivifica é a acção divinizante que, pelo Espírito Santo, nos vem do próprio Cristo ressuscitado.

O espírito Santo já actuava na história humana antes de Cristo. Mas só em Cristo ressuscitado aconteceram as condições para nos ser comunicada a dinâmica divinizante. Estamos salvos em Cristo!

Jesus, no momento da Sua morte, entrou nas coordenadas da Comunhão Universal, comunicando a toda a Humanidade a Sua condição humano-divina.

No momento da Sua morte-ressurreição, a Humanidade, talhada para a comunhão com Deus, é divinizada.

O princípio animador da vida divina em nós, o Espírito Santo, é o princípio de interacção orgânica que une a pessoa humana de Jesus à pessoa divina do Logos.

No momento em que Jesus entra nas coordenadas da universalidade torna-se o ponto de encontro, a cabeça, como lhe chama São Paulo, da comunhão orgânica Universal.

No interior de Jesus Cristo circulava a Água viva que jorra Vida Eterna. No momento em que se torna a Cabeça deste Corpo Universal, esta Água passa a jorrar Vida Eterna no interior dos membros que, juntamente com a cabeça, formam o corpo.

E eis que a Humanidade ficou divinizada! O humano ficou ligado ao divino.

Em Jesus de Nazaré iniciou-se o processo da divinização do Homem. A plenitude significa o momento da sua universalização.

Esta plenitude aconteceu pela mediação de Jesus ressuscitado e pela acção divinizante do Espírito Santo, o amor maternal de Deus derramado nos nossos corações (cf. Rm 5, 5).

O evangelho de João exprime esta realidade dizendo que o Espírito é que dá a Vida. A carne não serve para nada (Jo 6, 63). Por isso temos de nascer de novo pelo Espírito Santo (Jo 3, 6).

A dinâmica divinizante do Espírito Santo só se inicia em nós pelo Senhor ressuscitado e glorificado (Jo 7, 39).

Foi para nos dar o poder de nos tornarmos filhos de Deus que o Filho de Deus encarnou (Jo 1, 12-14). Eis a razão pela qual São Paulo afirma que todos os que são movidos pelo Espírito Santo são filhos e herdeiros de Deus (Rm 8, 14-16; Ga 4, 4-7).

O Espírito Santo é o grande dom messiânico. Por Cristo, o Espírito é-nos comunicado de modo intrínseco, isto é, como sangue que leva a vida a todas as células do corpo.

No momento da sua morte-ressurreição Jesus abre as portas do Paraíso à Humanidade, tal como ele declarou ao Bom Ladrão (Lc 23, 43).

Com Cristo chegou o tempo da libertação dos cativos, de dar vista aos cegos e fazer andar os coxos (Lc 4, 18-21). 

Como dissemos, Jesus Cristo é a Cabeça da Nova Humanidade. O nosso pecado foi perdoado e nós ficámos reconciliados com Deus (2 Cor 5, 17-21). Ele é o único medianeiro entre Deus e o Homem (1 Tim 2, 5).

Como Cabeça da Nova Humanidade Jesus Cristo inseriu-nos para sempre à comunhão da Santíssima Trindade. Introduziu no projecto humano a vitória sobre a morte.

Cristo é o centro do plano salvador de Deus. Nele realiza-se a Nova e Eterna Aliança. Por parte de Deus assina o Filho Eterno de Deus, encarnando e introduzindo-nos na Família de Deus.

Por parte do Homem assina Jesus de Nazaré, homem em tudo igual a nós, excepto no pecado. Assinou tornando-se total e incondicionalmente a Deus, ao ponto de morrer precisamente por não abdicar desta sua fidelidade.

Ao comunicar-nos o Espírito Santo, Jesus comunicou à Humanidade a Sua condição humano-divina. Como consequência fomos introduzidos na plenitude da vida.

É ainda o Espírito Santo que nos incorpora na Família Divina. É o guia seguro que nos conduz à “galáxia” da Comunhão Universal, interioridade máxima e coração personalizado do Universo.

É a esfera da Transcendência, o Céu, ou o ponto de encontro das pessoas capazes de reciprocidade amorosa.

Jesus Cristo é o Centro e o medianeiro desta Comunhão Universal. Nele se encontram e interagem organicamente o melhor de Deus com o melhor do Homem.

Ele é a Árvore da Vida plantada no centro do Paraíso. Agora já temos acesso ao fruto que nos dá a Vida Eterna (cf. Jo 6, 51).

ÉD também a fonte da qual nasce a Água Viva que faz jorrar em nós a Vida Eterna (Jo 4, 14; 7, 37-39).

No momento da Sua morte-ressurreição foi à morada dos mortos, isto é, entrou em comunhão com a Humanidade que o tinha precedido.

Deste modo, a Humanidade é incorporada na Festa da Plenitude humano-divina.

Ao entrar em comunhão universal, Jesus ressuscitado comunicou o Espírito Santo a todos, desde Adão até ao Bom Ladrão, incorporando-o na Família de Deus.

É este o vinho bom que vem no fim (cf. Jo 2, 1-10), a fim de a alegria atingir o máximo que a vida pode dar. São estas as bodas do Cordeiro:

“Mostrou-me depois um rio de Água Viva, resplandecente como cristal, o qual saía do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da praça da cidade, junto à margem do rio, está a Árvore da Vida (...) cujas folhas servem de medicamento para as nações” (Apc 22, 1-2).

É esta a Terra da Vida plena, onde não há mais luto, nem lágrimas. O sofrimento, a dor e o ódio são totalmente banidos desta cidade da Vida:

“Vi, depois, um novo Céu e um nova Terra. O primeiro Céu e a primeira Terra tinham desaparecido e o mar já não existia.

E vi descer do Céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a Nova Jerusalém, já preparada, qual noiva adornada para o seu esposo. E ouvi uma voz potente que vinha do trono e dizia: ‘esta é a morada de Deus entre os homens ’. Deus habitará com eles, os quais formarão o Seu Povo.

O mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus. Enxugará todas as lágrimas dos seus olhos. E não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor. As primeiras coisas passaram. O que estava sentado no trono afirmou: ’Eis que renovo todas as coisas” (Apc 21, 1-5 a).

Jesus Cristo tomou Deus e o Homem a sério. Por isso é o Centro do projecto de Deus. Passou a vida a fazer o bem, isto é, a eleger os outros como seu próximo.

Foi mártir do Amor. De facto, os que se opunham ao bem, à justiça e à fraternidade mataram-no. Por isso agora, vive para sempre em todos nós. Ele está no coração do Plano Salvador de Deus.