CRISTO E A VITÓRIA SOBRE O PECADO
CALMEIRO
MATIAS

Deus Santo,
Vós inscrevestes, não pecado, mas a
possibilidade do
pecado na História Humanidade, a fim de o ser
humano
poder ser livre.
O pecado é sempre uma oposição ao amor.
Pecar é
recusar-se a crescer como pessoa através de
relações de
fraternidade e amor.
Só há pecado quando a pessoa tem a
possibilidade de
dizer sim e diz não às propostas do amor.
Mediante o pecado, o pecador diz não ao
processo da sua
realização pessoal e condiciona ou bloqueia a
realização
dos outros.
Além disso, através do pecado, a pessoa inscreve
ritmos
negativos, isto é, forças de bloqueio tecido
social.
Isto quer dizer que, face à realidade do
pecado, a pessoa pode encontrar-se
em duas situações diferentes: situação de
vítima, ou situação de culpada.
A vítima do pecado sofre as suas
consequências negativas
sem dele ser culpada.
Na verdade, quantos milhões de crianças sofrem
as
terríveis consequências pecado sem dele serem
culpadas.
A pessoa culpada do pecado é o próprio
pecador. A
pessoa é culpada do pecado na medida em que é
autora do
mesmo pecado.
Há ainda a situação das pessoas que
fazem o mal, mas que
na realidade são vítimas do pecado e não
pecadoras.
Estão neste caso as multidões de mal
amados com
distorções psíquicas e comportamentos compulsivos
cuja
origem está no facto de terem sido mal amados.
O evangelho dá provas de possuir uma
grande sabedoria
ao proibir-nos de julgar as pessoas.
Na verdade, nós não temos nas mãos a
história das
experiências dolorosas e traumatizantes das pessoas.
Na verdade, nós podemos compreender de
modo perfeito
os traumas que perturbam e condicionam as
atitudes e os
comportamentos das pessoas.
É verdade que os outros nos capacitam
mas também nos
condicionam nas possibilidades de amar e fazer o
bem.
A lei do amor é esta: ninguém é capaz de
amar antes de
ter sido amado e o mal amado ama mal, mesmo
quando dá
o melhor de si.
Do mesmo modo que o amor dos outros nos
capacita para amar, as suas recusas de amor, condicionam-nos nas
nossas possibilidades de amar.
Começamos por ser o que os outros
fizeram de nós, mas o
mais importante é o que fazemos com as possibilidades
recebidas dos demais.
O feixe primordial das possibilidades e
condicionamentos
que recebemos dos outros faz de nós, logo à
partida, seres
únicos, originais e irrepetíveis.
Para significar a diferença das
possibilidades de cada
pessoa, a parábola dos talentos diz que uns
recebem cinco
outros três, dois ou um (cf. Mt 25, 14-30).
Enquanto oposição ao amor, o pecado mata
sempre
possíveis de realização humana, tanto no pecador,
como
nas vítimas do pecado.
Segundo o Livro do Génesis, o pecado de
Adão deu como
fruto imediato o fratricídio de Caim, o qual
matou seu
irmão Abel (Gn 4, 8-16).
Criado por Deus para criar fraternidade
através do amor, o
Homem, ao pecar, inicia uma cadeia de fratricídio,
opondo-se ao plano da Família Universal de Deus.
Jesus Cristo, diz São Paulo, é o Novo
Adão. Tal como pelo pecado de Adão veio o fracasso da morte, a vitória da Vida
Eterna por Jesus (1 Cor 15, 20-21; Rm 5, 17-19).
Segundo a visão bíblica, o pecado de
Adão é uma realidade orgânica.
É esta a razão pela qual, Adão
introduziu a Humanidade inteira no caminho do fracasso e do malogro.
O Livro do Génesis diz que Deus expulsou
Adão do Paraíso (Gn 3, 23-24).
Como Adão é a cabeça da Humanidade, todos
os seres
humanos ficaram sem acesso ao Paraíso.
No momento da sua morte e ressurreição,
diz o evangelho
de São Lucas, Jesus reabre as portas do
Paraíso e a
Humanidade entra com ele na plenitude da
Vida Eterna.
Eis o que Jesus diz ao Bom Ladrão no momento
da sua morte e ressurreição:
“Em verdade te digo: hoje mesmo estarás
comigo no
Paraíso” (Lc 23, 43).
A vitória sobre a infidelidade de Adão
vem-nos pela
fidelidade incondicional de Jesus Cristo.
Adão opôs-se ao plano de Deus, colocando
a Humanidade
no caminho da perdição.
Jesus Cristo realizou de modo perfeito a
vontade de Deus
Pai, introduzindo-nos no caminho da
salvação:
“O meu alimento, diz Jesus no evangelho
de São João, é
fazer a vontade daquele que me enviou e
realizar a sua
obra” (Jo 4, 34).
Depois acrescenta:
“Eu não procuro a minha vontade, mas a vontade
de
quem me enviou” (Jo 5, 30).
Com o relato do pecado de Adão, a bíblia
que dizer que
todos nós, ainda antes de sermos pecadores,
já somos
vítimas do pecado.
Devemos ter presente que o Espírito
Santo está connosco,
mas nunca está em nosso lugar, pois nunca
nos substitui.
A vocação básica do ser humano é a sua
humanização
mediante relação de amor, a fim de atingir a
plenitude da
comunhão com Deus.
A lei da humanização é esta:
“Emergência pessoal mediante relações de
amor e
convergência para a fraternidade e a comunhão
universal”.
Espírito Santo,
São Paulo diz que tu és o amor de Deus
derramado nos
nossos corações (Rm 5,5).
Ajuda-nos, nós te pedimos, a gastar a
vida ao serviço do amor,
a fim de darmos frutos de Vida Eterna.
Ámen.