CHAMADOS A
EVENGELIZAR O MUNDO
Calmeiro Matias

O cristão está chamado a ser um Apóstolo, isto é, um
evangelizador no meio do mundo. Evangelizar é comunicar uma Boa Notícia que diz
respeito a todos os homens. Os baptizados estão todos chamados a ser
evangelizadores.
Cada qual, porém, com os seus dons e diferenças. Para
sermos evangelizadores precisamos de acolher com amor a Palavra de Deus,
meditando-a e saboreando-a no nosso coração.
Quando a Palavra vem habitar no nosso coração, o Espírito
Santo consagra-nos para evangelizarmos o mundo, isto é, capacita-nos para a
anunciar a salvação aos homens, prestando assim um serviço a Deus que quer
revelar-se e salvar todos os homens.
Só uma pessoa com uma fé sólida pode ser Apóstolo. A Fé
leva-nos a tomar Deus a sério. O Espírito Santo comunica-nos a coragem
necessária para podermos denunciar os ídolos ou falsos deuses que dominam os
homens e não os deixam ser livres: A ânsia de poder, de dinheiro, o desejo da
fama, a opressão dos outros e a vontade de dominar as pessoas.
São Paulo diz que o serviço do Apóstolo é uma graça de
Deus. Eis as suas palavras: “Foi-nos dada a graça de anunciar aos gentios a
maravilhosa salvação de Jesus Cristo” (Ef 3, 8).
Os cristãos, ao receberem a Palavra de Deus, recebem ao
mesmo tempo o chamamento para a proclamarem ao mundo. Eis as palavras que Jesus
disse aos Apóstolos ao enviá-los a anunciar o Evangelho: “A Seara é grande, mas
os operários são poucos. Pedi, pois, a Deus que é o Senhor da seara que mande
operários para a sua seara” (Lc 10, 4-5).
A Igreja Católica não é a Humanidade, mas sim um grupo
dentro da Humanidade. É o conjunto dos baptizados que vivem em comunhão com o
Papa. Por seu lado, o Povo de Deus é o conjunto das igrejas cristãs que têm o
essencial da Fé em Cristo. É importante trabalharmos para que as igrejas se
unam, a fim de darmos testemunho de que o plano salvador de Deus é apenas um e
destina-se a toda a humanidade.
É importante não confundirmos igrejas com seitas. Estas
não são parte integrante do povo de Deus, pois não têm o património essencial
da Fé. Deus escolheu um povo, a fim de este ser sal, luz e fermento no meio dos
outros povos. A missão do Povo de Deus no mundo é fundamental para dar sentido
à vida e à história da Humanidade.
É urgente trabalharmos para a unidade das igrejas, a fim
de o Evangelho ser anunciado com mais eficácia junto de todos os povos, raças,
línguas e nações. Eis as palavras de Jesus aos cristãos: “Vós sois o sal da
terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há-de salgar? Não serve para mais
nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens” (Mt 5, 13).
Jesus diz ainda: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode
esconder uma cidade situada sobre o monte. Nem se acende a candeia para a
colocar debaixo da mesa, mas sim em cima, a fim de iluminar todas as pessoas.
Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, a fim de que, vendo as vossas boas
obras glorifiquem o vosso Pai que estás nos céus” (Mt 5, 14-16).
A divisão do Povo de Deus em igrejas que se guerreiam e
tentam prejudicar-se umas às outras é uma obra má. Ora, como vimos, Jesus diz
que o Pai do Céu só é glorificado pelas boas obras. A união das igrejas é uma
obra boa.
Os evangelizadores dos nossos dias dirigem-se a uma
Humanidade constituída por uma grande diversidade de culturas, raças, línguas,
povos e nações.
A unidade das igrejas tem de assentar numa comunhão de
diferenças. A meta é a unidade na diversidade. A diversidade é um testemunho
importante para dizermos que o plano de Deus engloba o pluralismo de situações
existentes na Humanidade.
Se as igrejas tivessem posto em primeiro lugar a
evangelização do mundo, há muito tempo que estariam unidas. Mas voltaram a pôr
o velho problema dos Apóstolos e que Jesus condenou: Quem de nós é o primeiro?
(cf Mc 10, 35-40).
O Espírito Santo e a Palavra de Deus fazem do
evangelizador uma pessoa simples, próxima dos outros, despida de atitudes
arrogantes e sentimentos de superioridade.
O Apóstolo sabe que não leva Deus às pessoas. A sua
missão é ajudar as pessoas a descobrirem a presença salvadora de Deus no seu
coração. À medida que a Palavra de Deus é comunicada às pessoas estas, animadas
pelo Espírito Santo, vislumbram Deus, não como alguém distante e assustador, mas
como presença amorosa no seu íntimo.
Para a acção evangelizadora ser mais eficaz no mundo é
muito importante que aconteça a reconciliação e união das diversas tendências
no seio da Igreja, bem como das diversas igrejas dentro do Povo de Deus.
O evangelizador é uma pessoa que se deixa conduzir pelo
Espírito Santo que nos ensina a amar ao jeito de Jesus e a realizar uma acção
libertadora das pessoas, semelhante à de Jesus.
O evangelizador é membro de uma igreja e faz parte do
Povo de Deus, parcela da humanidade que tem a missão de dizer a Boa Nova da
Salvação a todos os povos.