A VIDA COM LETRA GRANDE
CALMEIRO MATIAS

Naquele tempo,
quando o Céu ainda não era azul e Terra não era verde, a natureza começou a
preparar o berço para a vida poder aparecer.
A Terra ainda estava
em formação. Como havia muitos vulcões em actividade, o solo estava bastante
quente.
Devido à
actividade dos vulcões acontece em abundância o fenómeno da condensação e
formam-se os primeiros lagos sobre a Terra.
A água destes
lagos era quente e estava constantemente a ser bombardeada por grandes
descargas eléctricas. Foi neste dinamismo primordial da Terra que apareceu a
vida.
Nessa altura, o
Céu começa a tornar-se azul e a Terra verde, graças à função clorofilina dos
seres vivos.
Os primeiros seres
vivos eram minúsculos. Se os seres humanos existissem nessa altura, só os
podiam ver com a ajuda de potentes microscópios.
Mas Deus, ao criar
esta vida minúscula, já estava a pensar na vida com maiúscula, isto é, os seres
Humanos, os quais têm um coração capaz de amar e comungar com Deus e os irmãos.
Deus teve o
cuidado de pôr a vida a evoluir, a fim de se tornar cada vez mais perfeita. Na
linguagem da Bíblia, a evolução é o barro a amassar-se, a fim de poder surgir o
Homem.
Como Adão era uma
pessoa humana já podia comungar com Deus. Deus deu-lhe Eva por companheira, a
fim de a amar e comungar com ela.
Mas Adão foi
infiel e em vez de comungar com Deus virou-lhe as costas. Com este
procedimento, Adão entrou no caminho do fracasso.
Eis o que diz a
Bíblia: “O Senhor Deus disse: “eis que o Homem, quanto ao conhecimento do bem e
do mal, se tornou como um de nós. Agora é preciso que ele não estenda a mão
para se apoderar também do fruto da Árvore da Vida e, comendo dele, viva para
sempre.
Então, o Senhor
Deus expulsou Adão do Jardim do Éden, isto é, do Paraíso.
Depois de ter
expulso o Homem do Paraíso, Deus colocou a oriente do jardim uns Querubins com
uma espada flamejante, a fim de guardarem o caminho da Árvore da Vida” (Gn 3,
22-24).
A Bíblia diz que
havia no centro do Paraíso duas árvores muito importantes: a árvore do
conhecimento do bem e do mal e a árvore da vida.
A seiva da árvore
do conhecimento do bem e do mal é o egoísmo que dá um fruto mortal que se chama
capricho ou arbitrariedade.
Os que comem o fruto
desta árvore descobrem que estão nus. Isto quer dizer que entram no caminho do
malogro e do fracasso.
Com efeito, as
pessoas que se alimentam do capricho e da arbitrariedade, não chegam à
maturidade humana, pois não atingem uma consciência profunda, nem chegam a ser
verdadeiramente livres e capazes de amar.
A Árvore da vida,
pelo contrário, faz germinar a Vida com maiúscula no coração dos que comem o
seu fruto.
O fruto da Árvore
da Vida é o Espírito Santo que nos capacita para sermos fiéis à Aliança de
Deus.
No coração dos que
comem este fruto nasce a certeza da salvação em Cristo.
Eis o que diz o
livro do Apocalipse: “E vi descer do Céu, a Cidade Santa, a Nova Jerusalém,
preparada, qual noiva vestida e adornada para o seu esposo” (Apc 21, 2).
O profeta Isaías
diz que o Messias surge como um rebento da Árvore da Vida, o qual nos conduz ao
encontro do Homem com Deus.
A raiz da Árvore
da Vida, Deus, comunica-nos o Espírito Santo que nos capacita para darmos
frutos de Vida Eterna que é a vida com maiúscula. Eis as palavras do profeta
Isaías:
“Brotará um
rebento do tronco de Jessé, e um renovo brotará das suas raízes. Sobre Ele
repousará o Espírito do Senhor:
Espírito de
Sabedoria e entendimento, Espírito de Conselho e Fortaleza. Espírito de Ciência
e amor a Deus” (Is 11, 1-2).
A Bíblia diz que
Deus criou o Homem à sua imagem e semelhança (Gn 1,26-27). Por isso o ser
humano tem um coração cheio de fome de amor.
O amor é o fruto
mais rico da Vida com Maiúscula. Nós fomos criados para comer o fruto da Árvore
da Vida e, deste modo, atingirmos a vida com maiúscula que é a comunhão com
Deus.
O ser humano só
pode ser livre se tiver a possibilidade de decidir e escolher.
Eis a razão pela
qual, no Paraíso, tinha de haver outra árvore além da Árvore da vida, a fim de
o homem poder escolher e tornar-se livre.
Foi por esta razão
que Deus colocou a árvore do conhecimento do bem e do mal ao lado da árvore da
vida.
Qualquer destas
árvores estava ao perfeito alcance do homem.
As duas árvores
significam a capacidade que a pessoa humana tem de escolher pelo bem ou o mal.
O Senhor confiava
no coração do Homem, pois este tinha sido criado à imagem de Deus.
Mas o Homem cedeu
à tentação e comeu o fruto errado.
A tentação é uma
insinuação que emerge na nossa mente, convidando-nos a agir em sentido oposto
ao plano de Deus que é o nosso bem.
Adão cedeu à
tentação, decidindo e escolhendo no sentido errado.
Como consequência
deste pecado, o Paraíso foi fechado. Foi assim que Adão introduziu a Humanidade
no caminho do Malogro e do fracasso.
Como Deus é Amor
infinito, não podia deixar de nos amar infinitamente. Por isso, através de
Cristo, deu-nos um beijo que faz de nós filhos de Deus:
O beijo da
Encarnação que nos comunica o Espírito Santo, o qual faz de nós membros da Família
de Deus (Rm 8, 14-17; Ga 4, 4-7).
Através deste
beijo, fomos conduzidos de novo para o plano de Deus, entrando no caminho da
Vida Eterna que é a Vida com maiúscula.
No momento da sua
morte e ressurreição, Jesus Cristo abriu de novo o Paraíso à Humanidade.
A vida com
maiúscula ficou de novo ao nosso alcance.
Eis o que Jesus
diz ao Bom Ladrão no momento de morrer:
“Em verdade te
digo: hoje mesmo estarás comigo no Paraíso” (Lc 23, 43).
Deste modo, Graças
Jesus ressuscitado que nos dá o Espírito Santo, a Humanidade passa a fazer
parte da Família de Deus.
Cristo é a Árvore
da Vida cujo fruto é o Espírito Santo que nos comunica a Vida com maiúscula,
isto é, a Vida Eterna.